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domingo, 3 de maio de 2015 Cidadania, Comportamento | 13:54

Um banheiro muito elegante no novo Whitney Museum de Nova York: sem gênero definido

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Uma mulher vai ao banheiro. Ela está de vestido, tem cabelos compridos, usa maquiagem e tem as unhas pintadas de vermelho. Ela entra no banheiro feminino e as mulheres que estão lá dentro a olham com cara de “o que você está fazendo aqui?” Se ela entrar no banheiro masculino, a cena será ainda mais agressiva, já que os homens vão achar que ela está de provocação ou, pior ainda, que está querendo se oferecer para eles. E esse é um dilema diário na vida das mulheres transexuais.

Em Nova York, uma plaquinha na porta do banheiro do novo Whitney Museum, que inaugurou para o público no dia 1º de maio no Meatpacking District, resolveu esse problema para trans, travestis, homens, mulheres, gays, lésbicas e todas as outras denominações que abrigam as diversas variações da sexualidade humana.

A plaquinha, que chamou a atenção de um amigo a ponto de ele fazer uma foto, lembrar de mim nessa minha infinita indignação contra as regras inexplicáveis que afetam de maneira cruel a população trans e me mandar a imagem, diz o seguinte: “Banheiro para todos os gêneros”

whitney museum, banheiro de todos os gêneros

Plaquinha na porta do banheiro do Whitney Museum

 

Roberta Smith, crítica de arte do New York Times, diz que o novo projeto do arquiteto Renzo Piano tem uma prioridade clara, que é acomodar as pessoas e a arte com a mesma elegância. Ela não fala especificamente da placa na porta do banheiro, mas foi nesse detalhe que eu enxerguei a elegância do projeto.

Ela fala também que “quando uma estrutura como essa é inaugurada, nós temos a sensação de transformação em tempo real.” De novo, foi na plaquinha do banheiro que eu vi a grande obra de arte do novo Whitney.

Claro que o museu é lindo e vai entrar necessariamente na lista de passeios obrigatórios em NY, mas o que me deixa mais satisfeita é saber que a população trans que visitar o museu não vai ter um minuto de indecisão – ou de constrangimento – na hora em que precisar ir ao banheiro.

Incrível como uma solução tão simples resolve um problema tão complexo. Que tal os outros museus, e todos os estabelecimentos comerciais, públicos e privados, e escolas e todo lugar que tiver um banheiro – ou seja, TODO lugar —, adotar essa plaquinha?

 

 

 

Novo Whitney Museum de NY

Galerias internas do Whitney Museum, o novo prédio do arquiteto Renzo Piano em NY

 

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sábado, 18 de abril de 2015 Televisão | 20:45

Os trailers que fazem mais longa a espera para as novas séries de TV, e como se distrair pelo caminho

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A contagem regressiva está bombando por aqui.

“Orange is the New Black”: faltam 55 dias.

“Grace and Frankie”: 51 dias.

Grace e Frankie

Grace e Frankie e uma das etapas da superação

Orange, todo mundo já sabe, é a série das nossas queridas presidiárias e seus amores e ódios que movem a penitenciária de Litchfield.

Orange is the New Black

O elenco de Orange is the New Black, que volta à TV em 12 de junho

Grace e Frankie

Jane Fonda e Lily Tomlin são Grace e Frankie na série que estreia dia 8 de maio

Grace (Jane Fonda) e Frankie (Lily Tomlin) são amigas com muito pouco em comum que acabam unidas pela mesma situação: o marido de uma e de outra saem do armário, se declaram apaixonados um pelo outro e anunciam que vão se casar. O casal é feito pelos atores Martin Sheen e Sam Waterston.

Assista ao trailer oficial de “Gracie and Frankie”.

Fiquei interessada pela série, pelo que já deu para antecipar da história, e o trailer só me fez ter mais vontade ainda de que o dia 8 de maio chegue logo.

No dia 12 voltam à cena Piper, Alex, Tiffany, Poussé, a trans Sophie e todo o resto para a terceira temporada de “Orange is the New Black”.

Assista ao trailer oficial de “Orange is the New Black”.

Rose e Luisa

Rose (Bridget Regan) e Luisa (Yara Martinez), de ‘Jane, the Virgin’

Enquanto isso, os personagens gays fazem suas pontas nas minhas séries favoritas do momento. Em “Jane, the Virgin”, uma besteira deliciosa, Jane, a virgem, foi inseminada por engano pela ginecologista alcóolatra com o sêmen do seu irmão, o playboy ricaço Rafael.

Agora Jane está grávida do bonitão, e eles estão apaixonados um pelo outro. A ex-namorada da ginecologista a latgou para ficar com o pai deles, mas as duas ainda se agarram escondido. Tudo acontece em Miami, no hotel do pai do bonitão, onde o bonitão é o gerente, Jane é garçonete, a irmã Luisa aparece para tomar drinks e ela e a mulher do pai, Rose, fogem para um quarto qualquer a cada chance que encontram.

Jane, the Virgin é das drogas mais perigosas: você começa a ver por farra e não consegue mais largar.

Jane the Virgin

Luisa Alver (Yara Martinez), embaixo, é a ginecologista irmã do galã Rafael Solano (Justin Baldoni). Por cima, a ex-namorada dela, e atual mulher do pai dela, Rose (Bridget Regan)

 

 

 

 

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terça-feira, 7 de abril de 2015 Comportamento, Publicidade | 13:35

Tylenol faz anúncio com duas mulheres. Agora o remédio só cura dor de cabeça de lésbica?

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anúncio Tylenol

Anúncio da Tylenol traz duas mulheres nos EUA e a mensagem: “Nós te damos uma noite melhor, você aproveita mais o seu dia”

No Brasil também se cura dor de cabeça com Tylenol. Mas aqui, diferente dos Estados Unidos, não tem esse anúncio que eu vi numa edição recente da revista “People”. Por que será que as marcas ainda resistem a usar casais gays nas campanhas publicitárias no Brasil? Segundo Washington Olivetto, que é meu amigo e ex-patrão, a sensação que as marcas têm é de que, se usarem gays em seus anúncios, estão abrindo mão do resto da população. Como se fizessem uma opção: ou uns, ou outros. Na dúvida, para não arriscar, elas ficam com a maioria da população.

Ou seja: a Tylenol colocou duas mulheres no seu anúncio e virou remédio de lésbica. O Tylenol não cura mais dor de cabeça dos héteros? Se uma marca de automóvel coloca dois homens em seu comercial não vai vender mais carros para os heterossexuais? Se um lançamento imobiliário anuncia com um casal gay vai definir o prédio inteiro como endereço de gays?

Parece absurdo e fora de propósito pensar assim, mas aparentemente é assim que as marcas pensam. Não seria mais bacana, nessa altura dos acontecimentos, com tudo o que a humanidade já andou nessa aventura do tempo, abraçar a diversidade? Mostrar que a marca tem apelo para todos? E que quer servir uns e outros e aqueles lá também?

Alô, Tylenol! Bela iniciativa de anunciar com duas mulheres nas revistas americanas. Que tal fazer o mesmo no Brasil? Está mais do que na hora de alguém tomar essa iniciativa. Nós aqui do iGay estamos torcendo para alguma marca ter a coragem de dar o pulo do gato.

 

 

 

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quinta-feira, 2 de abril de 2015 Internet, Movimento LGBT, Religião | 15:52

iGay fala de exposição em museu holandês e uma das artistas fala do iGay no Facebook

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O iGay está sempre antenado com tudo o que está acontecendo pelo mundo e que interessa à comunidade LGBT. Um tempo atrás publicamos uma matéria sobre a exposição I Believe I am Gay, em cartaz no Museu Bíblico de Amsterdã.

A exposição mostra 37 retratos de  de gays e lésbicas de várias religiões, cristãos, judeus, muçulmanos, hindus e budistas, liberais e ortodoxos, jovens e velhos. Há também líderes religiosos, como rabinos e reverendos.As fotos são das artistas Hadas Itzkovitch e Anya van Lit.

Uma das artistas, Hadas Itzkovitch, mencionou a matéria do iGay em seu Facebook. “E… Notícias sobre a exposição viajaram tanto que chegaram até o Brasil”.

Conversamos com ela pelo Face. “Estamos tentando levar a exposição para São Paulo ou Rio”, disse Hadas. “Acabei de falar com um grande amigo em São Paulo que é ativista LGBT sobre possibilidades.” E ela não pretende esperar muito. “Espero que seja ainda este ano”.

Enquanto isso, quem passar por Amsterdã pode conferir a exposição até dia 14 de junho.

 

iGay, museu holandês, face

Face de museu holandês cita matéria do iGay

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quinta-feira, 5 de março de 2015 TV | 19:37

Dia nacional das lésbicas conseguirem um atestado médico para não sair de casa: 12 de junho

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orange is the new

O seriado recomeça e quem fica preso em casa é a gente

O Netflix inventou essa moda e a gente aderiu correndo. No dia em que eles disponibilizam uma nova temporada completa daquela série que ficamos esperando um ano para rever, a gente assiste um episódio atrás do outro sem parar, até perder a noção do tempo, trocar o dia pela noite, esquecer quem somos, onde estamos, de onde viemos e para onde vamos.

alex e laura

Alex e Laura são ex-namoradas que se reencontram na prisão

Pois bem. Dia 12 de junho é a data de estreia da terceira temporada de “Orange is The New Black”. Corre aí com o que falta de “House of Cards” e a Claire Underwood morena porque dia 12 tem todas aquelas lésbicas (e bissexuais,  e trans e heteros) da penitenciária de Litchfield, em NY, a prisão feminina onde tudo acontece.

orange is the new black

A vida na feminina prisão de Litchfield é agitada

Enquanto isso, no mundo encantado de Glee, onde todo mundo é lindo e vive a vida a cantar, o romance de Santana e Brittany terminou no altar. Aliás, foi um casamento duplo: Kurt e Blaine aproveitaram a decoração, o bolo e os convidados e decidiram se casar também.

Glee

O casamento de Brittany e Santana

“Glee” perdeu o rumo, não tem mais para onde ir. Mas como este é um seriado que merece crédito simplesmente por ser tão gay, e porque esta é a última temporada, e porque aos trancos e barrancos eu fui assistindo a todos os episódios, agora vou chegar até o fim. Faltam três. “Glee” não é da Netflix, e a série é exibida na FOX americana no ritmo de um episódio por semana.

Tem um hoje, um sexta que vem e o último será exibido no dia 20 de março nos Estados Unidos.

 

Kurt e Blaine

O beijo dos recém-casados Kurt e Blaine

 

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015 Comportamento, Famíia, Produto | 15:09

Ainda bem que Neymar, Silvio Santos, Mick Jagger, Mark Zuckerberg, Steve Jobs, Angelina Jolie e Brad Pitt nunca jogaram o Jogo da Vida da Estrela

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jogo da vida, família

Caixa do Jogo da Vida e a família possível: a única

Aproveitei a promoção do posto na estrada para o interior de São Paulo no carnaval: “Compre R$ 15 reais em produtos Nestlé e ganhe um Jogo da Vida da Estrela”. Segui viagem com uma barra de Alpino, outra de chocolate meio amargo e um Jogo da Vida.

Estava curiosa para saber quais eram os desdobramentos que o jogo propunha para a vida dos participantes. As 110 cartas estão divididas em quatro categorias: Cotidiano e família, Profissão e carreira, Atividades e lazer, Ações sustentáveis.

Ações Sustentáveis é uma categoria atual. Você ganha pontos se reciclou papel ou foi trabalhar de bicicleta e perde pontos se escovar os dentes com a torneira aberta e se jogar lixo pela janela do carro.

Atividade e lazer tem coisas divertidas para fazer: escalar o Everest, visitar um tio no exterior, dar uma volta ao mundo de navio. E aí tem assim: “Sua banda está ficando famosa” e “Criou uma peça de teatro que está sendo um grande sucesso!” Ué, mas essas não deveriam estar em Profissão e Carreira? Escrever um texto para teatro e fazer música é igual a viajar ou ver seu time ganhar um campeonato?

jogo da vida, profissões

As profissões do Jogo da Vida: médico, engenheiro, advogado e… artista

Profissão e Carreira tem quatro profissões para quem se formar: médico, engenheiro e advogado. Ah, e artista. Fora isso é curso de especialização, curso pela internet, currículo e trabalho bem avaliado. Coitadas das crianças que estiverem jogando esse jogo. A vida profissional delas está fadada a ser uma sequência sem criatividade de cursos, diplomas, currículos e uma profissão muito convencional. Ah, ou artista.

casamento, jogo da vida

O casamento do Jogo da Vida: a noiva e o noivo

O pior mesmo desse Jogo da Vida é a categoria Cotidiano e Família. Das 20 cartas, 8 se referem a ter filhos, com a condição de que você tenha se casado antes. 4 cartas se referem ao casamento, exclusivo entre um homem e uma mulher.

filhos, jogo da vida

Os filhos no Jogo da Vida: só depois do casamento

 

Se você não quer ter um casamento heterossexual para ter filhos em seguida, as opções propostas pelas cartas são:

Ganhou na loteria!

Herdou uma casa na praia!

Sua mãe adorou o seu presente

Você vai abrir um negócio

Sua viagem de negócios foi um sucesso

Escreveu um “best-seller”

Seu bode foi premiado em uma competição

Você ensinou o seu cachorro a dar a patinha

jogo da vida, sorte

Opções ao casamento e à vida convencional: ganhar na loteria, herdar uma propriedade

Alô, Estrela, como assim? Por que eu não posso viver a minha vida da maneira como vive uma boa parcela da população mundial?

Por que eu não posso ter um filho como milhões de mães e pais fazem por aí, sem estar casados, estando junto com alguém sem casar, sendo solteiros, adotando crianças? Até a Angelina Jolie e o Brad Pitt tiveram todos os filhos que têm até hoje antes de se casar.

E casamento,como já é lei em muitos países pelo mundo, inclusive no Brasil, pode sim ser uma união entre uma mulher e outra ou entre um homem e outro.

O Jogo da Vida é bem mais complexo e diverso do que esse Jogo da Vida. E bem mais divertido.

Ainda bem que Neymar, Silvio Santos, Mick Jagger, Mark Zuckerberg, Steve Jobs, Angelina Jolie e Brad Pitt nunca jogaram o Jogo da Vida da Estrela.

 

 

 

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015 Celebridades, homofobia | 14:00

Lais Souza é gay. E de repente o mundo acha que o que aconteceu com ela foi pouco. O que você pensa dos comentários homofóbicos?

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Laís Souza, a ginasta acidentada

Lais Souza, a ginasta que ficou tetraplégica em acidente de ski em janeiro de 2014

A entrevista que Lais Souza deu para a revista “TPM” falava de muitas coisas, de como ela – que nunca tinha visto neve na vida – em poucos treinos já estava dando saltos mortais e entendendo tudo do esporte, do acidente que a deixou tetraplégica, da esperança que os novos tratamentos a coloquem de pé de novo. E, claro, da namorada dela.

Laís Souza

Lais Souza, antes do acidente, em treino para competição olímpica

A declaração da Lais foi o motivo que eu estava esperando para publicar uma matéria na qual vinha trabalhando há um tempo, que questionava a opção das celebridades brasileiras de não sair do armário (ser gay não é opção, mas assumir sim). O iGay tem dado muitas notícias sobre gente se assumindo aqui em ali, muito poucas no Brasil. Mesmo quem resolve falar do assunto e não responder as perguntas com um ensaiado “não falo da minha vida pessoal”, os brasileiros ficam em cima do muro. Tá tudo lá na matéria.

tatuagem de Laís

Na tatuagem de Laís, a esperança de evoluir da cadeira para os seus próprios pés

Claro que a novidade quente era a declaração de Lais Souza, e foi isso o que chamou a atenção de todo mundo. 100% dos comentários feitos na matéria, no site do iG ou no Facebook, diziam respeito a isso. (Respeito no sentido de relação com o fato, não no outro, que foi o que faltou).

Perguntei ao meu chefe se ele me autorizaria a apagar os comentários que passassem do limite do mau gosto. Ele disse que não, que isso seria censura, que julgar ofender discordar xingar e mandar a menina para aquele lugar é liberdade de expressão.

Até concordo num certo nível com ele. Só não entendo a lógica dos fatos. A Lais revelou uma coisa que só diz respeito a ela mesma, que não afeta a vida de absolutamente ninguém, e isso indignou um bando de pessoas. A jornalista Milly Lacombe, que fez a entrevista com a Lais, acha que deveríamos excluir os comentários mais barra pesadas.

“Pensa assim: se fossem comentários antissemitas ou racistas eles deixariam? Eu duvido. O preconceito com a gente ainda é tolerável”, disse ela. O diplomata Alexandre Vidal Porto, que também deu depoimento para a matéria, opinou: “Ser tolerante com o intolerante é loucura. Esse cara que comenta com ódio não é o seu leitor, é o inimigo. Não temos que dar espaço para o inimigo.”

Milly Lacombe

A jornalista Milly Lacombe fez a entrevista reveladora com Laís Souza

Os colegas do iG que eu ouvi pensam como o chefe. Que o Facebook tem ferramentas para denunciar comentários impróprios, que as pessoas podem processar os usuários quando se sentirem ofendidos por algum comentário, e que comentários antissemitas ou racistas seriam deixados lá da mesma maneira, em nome da liberdade de expressão.

Eu sigo me perguntando: por que a homossexualidade de uns afeta tanto a paz dos outros?

Estes acharam que Lais não merecia mais a aposentadoria que ganhou do governo depois do acidente.

“Muito enriquecedora essa informação para o mundo. E a pensão vitalícia nós pagamos, que emocionante.”

“Que emocionante, por que o cacho dela não sustenta ela. O povo vai sustentar as duas?”

“Depois que o governo liberou sua aposentadoria vitalícia você revela isso, né? Agora vai gastar o dinheiro viajando com a sua sapata.”

Este achou que ela estava querendo aparecer.

“Ser gay hoje em dia é moda, tô fora!”

Outros já aproveitaram para atacar todos os gays:

“O que leva uma mulher normal a mudar seu interesse conjugal é a falta de estrutura familiar”

“Se todo mundo virar homossexual acabou o mundo”

“Esse país tá cheio de gay tá loko”

“Safadeza to fora que nojo”

Teve gente que achou que a matéria era uma bosta

“Sempre o melhor das matérias bosta igual essa são os comentários… #deixaquieto”

“Grande informação!!! Não sei como eu iria viver sem saber!!!”

“Affffs tem outro artigo para compartilhar?”

Este resolveu atacar o governo e a presidente:

“Ah, agora entendi a bolsa vitalícia que a Dilma deu para ela”

“Esse governo só beneficia gay”

Outros foram simplesmente absolutamente agressivos:

“Toma vergonha na sua cara vagabunda”

“Mas é muito burra, e nojenta, isso sim”

“Fodaci. Aliás, já tá fodida mesmo.”

Esse aqui reclamou do que ele perdeu com isso.

“Trágico, eu ia namorar com ela”

Tem muito mais. Claro que muitos são positivos, dão os parabéns pela coragem, mandam boas vibes para ela melhorar. E muitos outros reclamam dos comentários absurdos e criticam a postura desses aí de cima e seus colegas da turma do ódio, numa autorregulação que, imagino, é o melhor instrumento para combater a homofobia que temos no momento.

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 beijo gay, Cidadania, Comportamento, jornalismo | 15:24

Ô Roberto Carlos, complicado por que? Você, que canta tanto o amor, faz logo uma música para os gays: eles também são românticos

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(Mais) uma semana cheia de coisas. O ano começou acelerado e mesmo o carnaval ser mais cedo faz parecer que o tempo está andando mais rápido. Daqui a pouco o carnaval já passou. Enquanto isso a gente corre.

Fui ao Cambuci na quarta (4), para o primeiro dia de aula das trans no Cieja Sé. O que eu encontrei lá? Um bando de gente animada com a possibilidade de voltar a estudar, mas (claaaaaaro!) sem descuidar do visual. Uma estava chateada porque o caderno que compraram para ela tinha um motivo muito masculino, acho que era o Homem de Ferro. Tem coisa menos travesti do que um homem de ferro?

ROBERTÃO

Em coletiva no navio do cruzeiro Emoções em Alto-Mar, Roberto Carlos disse que é a favor do casamento gay. Um repórter perguntou porque ele nunca tinha feito uma homenagem ao público gay e o rei respondeu que pode vir a pensar numa música específica para este público. “Minhas músicas são coisas do momento. Têm a ver com inspiração e vontade, mas não tenho preconceito algum. Sou a favor, inclusive, do casamento gay. Quanto à homenagem, um dia quem sabe? O tema é complicado, mas posso fazer sim, por que não?” Complicado por que, ô Roberto? Deixa disso. Você, que canta tanto o amor, faz logo uma homenagem para os gays: eles também são românticos.

beijo gay, angola, novela

Beijo gay na novela de Angola

Meu chefe (alô Tales Faria, como vai a sua tia?) me chamou a atenção sobre um caso que aconteceu em Angola. Uma novela transmitida na TPA, Televisão Pública de Angola, Jikulumessu – Abre o Olho, saiu do ar de uma hora para outra, sem aviso prévio, depois de um breve e nada erótico selinho gay.

O fato é que o selinho express que passou tão rápido foi suficiente para ser considerado o primeiro beijo gay da história da televisão pública angolana. O beijo aconteceu entre um homem casado, Carlos Nambe (Pedro Hossi), e um jovem solteiro, Gerson Cange (Lialzio Almeida). Segundo o portal informativo Rede Angola, a “novela deixou de ser exibida a 2 de Fevereiro e o público foi avisado durante o Telejornal da TPA”. O beijo provocou comentários a favor e contra nas redes sociais. O mesmo aconteceu com a suspensão da telenovela, havendo acusações de “censura”.

Vê se pode o beijo… Dura menos do que você dizer bei- e já acabou.

BICHA GLAMOUR NO CARNAVAL DA MANGUEIRA

Rogéria e David Brazil

Rogéria e David Brazil serão rainha e rei do Baile Glam Gay

Quarta-feira (11) tem noite gay na Mangueira: o baile Glam Gay. Prometendo um resgate da “elegância e glamour dos anos dourados do carnaval”, o carnavalesco Milton convoca gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais, drag queens e simpatizantes para uma noite cheia de diversão – e nada de confusão. “O gay é um público que bebe muito e não briga, que se produz e que adora se mostrar. Essa festa não é para aquele gay de quarto escuro, mas para o gay ‘holofote’, a bicha glamurosa, que quer aplauso mesmo.”

O concurso “Boneca Glam 2015” vai premiar as fantasias mais belas. Travestis e transexuais vão desfilar de biquíni e participar do concurso de fantasias que vai premiar as categorias luxo feminino e masculino. A festa começa às 21 horas, às 4h30 a bateria da Mangueira entra para quebrar tudo.

CASAMENTO GAY NO CLIPE DE SAM SMITH

O cantor britânico Sam Smith lançou o clipe de sua música Lay me Down. Bem cinematográfico, com muita cena de velas e roupas de veludo, tem um casamento gay em uma igreja. Ele falou sobre essa subversão à revista “Rolling Stone”. “Claro que casamentos gays não são permitidos na igreja, mas estamos fazendo um hoje. Claro que não é um casamento real, mas mesmo assim. Por que um homem  não pode casar com outro home na igreja? É a coisa mais natural do mundo.”


MAIS UMA DO PAPA FRANCISCO

Papa

Papa Francisco

O Papa é uma novidade e tanto na relação dos gays com a igreja, mas ele segue sendo o Papa, o símbolo máximo da igreja católica, que ainda se arrepia quando ouve falar em gays. A Eslováquia se prepara para votar um referendo que, se passar, vai banir os direitos de casamento e de adoção para os casais gays no país. Na quarta-feira (4), o Papa disse em sermão no Vaticano: “Cumprimento os peregrinos da Eslováquia e declaro meu apoio à igreja eslovaca e aos seus esforços de defender a família, a célula vital da sociedade.”

Vamos defender a família, certo? Contanto que ninguém determine que gays não podem se casar, não podem ser família e não podem ter filhos. Às vezes parece que as pessoas se esquecem de que todo gay vem de uma família, todo gay tem pai, mãe, irmãos. Por que não marido, mulher e filhos?

Nós também concordamos que a família é o núcleo da sociedade. Só que a família vem em várias conformações.

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015 Conquista, Direitos, jornalismo, Movimento LGBT | 13:19

Lançamento do Transcidadania é ignorado pela grande imprensa nacional

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Márcia Rodrigues e a Mãe, Rosa, no lançamento do Transcidadania

A Biblioteca Mário de Andrade estava parecendo um filme na tarde de quinta-feira, dia 29. O público que transbordava do auditório era composto por 100 travestis e suas convidadas. Tinha chapéu, peitos pulando para fora do decote, leques dramáticos daqueles que se abrem com um vrááááá, muito salto alto, muita make, muito cabelón. Uma cena rica para qualquer fotógrafo ou jornalista. Eu não saberia dizer outra maneira de reunir mais de 100 travestis, todas arrumadas-maquiadas-montadas em plena luz do dia. As pessoas que passavam pelo centro da cidade estranhavam a quantidade de travestis pela rua. Tinha gente achando que era parada gay.

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A travesti Paula Costa é uma das 100 participantes do Transcidadania

A ocasião era o lançamento oficial do programa Transcidadania pelo prefeito Fernando Haddad. Por conta deste programa, anunciado em detalhe ontem, no dia 4 de fevereiro, primeiro dia de aula na rede municipal de ensino, 100 travestis estarão voltando para a escola com uma bolsa de estudos (840 reais por mês durante dois anos) oferecida pela prefeitura de São Paulo. A quase totalidade delas está na prostituição hoje. A matéria foi publicada no iGay ontem mesmo no fim da tarde.

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Selfie com o prefeito Fernando Haddad na Biblioteca Mário de Andrade

O evento estava cheio de fotógrafos e câmeras de TV. Uma garota da agência Framephoto enviava de lá material a ser distribuído para a imprensa. O prefeito falou bonito, foi aplaudidíssimo, e disse que sabia que o projeto seria criticado, que as opiniões contrárias certamente viriam, que estava preparado para enfrentá-las sem recuar.

Pois bem. Hoje cedo quando a Folha de S. Paulo chegou na minha casa eu procurei o registro do evento e nada. Não tinha uma linha sobre o lançamento, nem crítica, nem apoio, nem foto nem simples menção à agenda colorida do prefeito Haddad. Confesso que senti falta até de algum maluco gritando impropérios sobre o uso do dinheiro público para dar mesada para travesti. Isso teria ao menos cumprido a expectativa da reação negativa anunciada pelo prefeito.

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Haddad com Gabriel Chalita, secretário da educação, o secretário municipal dos direitos humanos, Rogério Sottili, no lançamento do Transcidadania

Passei um pente fino no Estadão e também nada. A foto de Fernando Haddad (ao lado do Ministro da Cultura Juca Ferreira) que estampa a coluna da Sonia Racy foi tirada na inauguração de uma empresa de cinema e audiovisual chamada SPCine.

Pena. Um dia feliz, diria histórico, para as travestis de São Paulo foi completamente ignorado pelos dois maiores jornais da cidade.

A notícia apareceu sim na internet, em alguns sites sem foto, em outros sem muito destaque. Com exceção do iG, quem deu espaço para o programa foram sites gays. Como se assuntos como este fossem do interesse exclusivo dos LGBTs.

Travestis na Biblioteca Mário de Andrade

Travestis na Biblioteca Mário de Andrade

Só que não são. Os travestis e trans estão sendo tratados pela prefeitura como cidadãos paulistanos. Haddad discursou ontem que cresceu no Planalto Paulista e que se lembra de acompanhar notícias recorrentes de assassinatos de travestis em seu bairro. Que a prefeitura quer fazer o que é certo e não deixar ninguém para trás. Que, enquanto ele estiver lá, vai fazer o possível para reparar as injustiças cometidas contra uma população eternamente discriminada.

Ele disse ainda que o projeto é uma experiência que começa do zero, que ajustes deverão ser feitos pelo caminho para corrigir a rota do Transcidadania. A imprensa tem de fazer a sua parte de entender, divulgar, acompanhar, criticar, analisar.

Ou então travestis e trans continuarão a ser notícia apenas quando forem brutalmente assassinadas. Mais uma vez.

 

 

 

 

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015 beijo gay, livro, Teatro, TV | 17:42

Hoje é dia de conhecer Martha Nowill, um nome de que não vamos esquecer

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Paolla Oliveira e Martha Nowill

Paolla Oliveira e Martha Nowill: namoradas em ‘Felizes para sempre’

Tem programa para hoje à noite? Não marque nada, desmarque o que já marcou, ligue a TV às 22h45 e respire fundo. Ela é morena, cheia de curvas, cabelão, bocão, risada solta, 34 anos. Não a conheço direito. Estive com ela algumas poucas vezes: ela no palco, eu na plateia.

Martha Nowill e Maria Manoella

Martha Nowill e Maria Manoella em foto publicado no blog “Vermelho Russo”

Ela ainda não é conhecida do grande público, mas já chamou a atenção em montagens no teatro e no cinema (Já viu ‘Entre Nós’?). Hoje a vida dela vai mudar: depois de alguns papeis esporádicos sem maior apelo na TV, estreia esta noite na Globo, como a namorada de Paolla Oliveira na minissérie “Felizes para Sempre”. E certamente vai dar o que falar.

martha nowill

Martha Nowill em foto do blog “Vermelho Russo”

Ela é, para começar, uma novidade. Bom começo num mundo em que tudo dura 5 minutos. Mas Martha Nowill veio para ficar. Ela é, para prosseguir, uma atriz intensa. Vi uma cena dela com a Paolla Oliveira na chamada da série e, por mais que a Paolla esteja encarando esse papel de prostituta lésbica com coragem e entrega, ela não consegue esconder totalmente o constrangimento com a pegada certeira de Martha Nowill, que se debruça sobre ela e a beija. Daniela, a personagem de Martha Nowill, não sabe o que Denise (Paolla) faz quando ela não está olhando. Ela vai descobrir e vai rolar um monte de lesbian drama.

martha nowill

Martha Nowill em foto de seu blog

Martha não é lésbica, que eu saiba, mas é daquelas atrizes cheias de energia e de talento. Se o papel for da namorada apaixonada da outra, é isso o que você vai ver na interpretação dela: paixão.

Martha Nowill e Charly Braun

Martha Nowill e Charly Braun

Martha é uma menina autêntica: seu corpo não foi prensado a ferro em alguma academia da vida. Seu cabelo cheio de ondas não é domado à base de nenhuma química. Ela tem um bocão que pinta de vermelho e a caracteriza: seu blog se chama “Vermelho Russo” e é estampado por uma foto de sua boca. Ela escreve muito bem. O blog rendeu filme homônimo estrelado por ela e dirigido por Charly Braun. Ao longo das filmagens, ela seguiu escrevendo o blog, que virou um diário do filme do diário. Em 2013 lançou o livro de poemas “O Que ela Quer”, pela editora Edith.

Martha e a capa do seu livro

Martha e a capa do seu livro

Martha é neta de Dorina Nowill, que ficou cega aos 17 anos e dedicou a vida aos direitos dos deficientes visuais. Martha está envolvida na produção de um documentários sobre sua avó.

Martha está em cartaz no teatro, na peça “Animais na Pista”.

Centro Cultural São Paulo – Rua Vergueiro, 1000

Sextas-feiras e sábados às 21 horas e domingos às 20 horas

Duração: 75 minutos
Recomedável para maiores de 16 anos
Ingressos: R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia-entrada)

 

 

 

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